quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Canelone pra DnaTina

Minha afinidade pela cozinha italiana não é nova. Quem se criou na cidade de Sao Paulo como eu, desde muito cedo teve e ainda tem o privilégio de conviver com essa gastronomia mesmo que de forma "abrasileirada".
Quando era criança, além das lasanhas aos 4 queijos, espaguetes a bolonhesa, ao alho e óleo, minestrones, polentas, assados, nhoques, capeletes, ravioles, canelones e pizzas (minha predileta), tinha também uma influência cultural muito forte, presente no linguajar e sotaque paulistanos, no gestual das pessoas e na arquitetura que predominava nessa São Paulo do final dos anos 60 e 70.
Talvez por isso que a primeira vez que publiquei receitas e suas fotos na edição número 1 da Revista dos Vegetarianos, escolhi as Lasanhas como tema. Curiosamente não conheço a Italia como gostaria, mas adoro essa velhinha italiana, a Dna Tina com quem tive o provilégio de conviver na minha adolescência no Bairro do Jaçanã, cuja memória de suas massas deliciosas continuam me inspirando.
É pra ela e sua família (da qual me aproprio como minha também) que dedico essa receita de canelone de ricota e espinafre ao molho de tomates assados servidos com uma leve pitada de flor de sal.
Abraços carinhosos e até domingo.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Bombom de Phisalys e a Lola mandando ver...

Ai vai a descrição que encontrei n o site da UFSC para Phisalys :

• Pertence à família Solanaceae;
• Pode chegar até 2 metros de altura, tem raiz fibrosa ramificada, talo herbáceo com pilosidades;
• As flores são grandes, hermafroditas, com o cálice verde e a corola amarela;
• O fruto é uma baga carnosa arredondada, com diâmetro que varia entre 1,25 e 2,5cm e massa entre 4 a 10 gramas.
• Sinônimos: uchuva, cape gooseberry, joá de capote.

O gênero Physalis inclui aproximadamente 100 espécies. Physalis peruviana L. é a espécie mais conhecida, e é originária dos Andes sul- americanos.
No Brasil é comum no biôma do Cerrado na região Centro-oeste


Propriedades Nutracêuticas:

• Povos nativos da Amazônia e nordeste do Brasil, utilizam suas folhas, frutos e raízes no combate das seguintes doenças: Diabetes, reumatismo crônico, doenças de pele, bexiga, rins e fígado;
• forte atividade como estimulante imunológico combatendo alguns tipos de câncer, leucemia, além de efeito antiviral contra os vírus da gripe, herpes, pólio e HIV tipo 1 (estudos científicos nos EUA, Europa e Ásia);
• Tem demonstrado alta eficiência como anti-bactericida, analgésico, antinflamatório, antiasmático, antihemorrágico, antiséptico, expectorante, febrífugo, sedativo e vermífugo;
• Seu uso está sendo recomendado contra doenças de pele como: psoríase, dermatites, escleroderma, etc...
• Mais recentemente cientistas da Fundação Oswaldo Cruz do Ceará isolaram a substância chamada “PHYSALINA” que atua no sistema imunológico humano evitando a rejeição de órgãos transplantados.

Fonte: http://www.fit.ufsc.br/disciplinas_download.php?cod=1924

Bom, pra quem não conhecia essa frutinha, fica a dica. A Lola, nossa labradora que vive aqui na porta do Goa, adora phisalys, sempre que consigo dou-lhe de presente umas 4, sem a folha, não esqueça, já vi uma amiga comer um bombom que eu preparara, com folha e tudo, disse que foi a pior coisa que tinha provado na vida, mas essa é outra história.
Gosto de fazer esses bombons, é só abrir a flor, mergulhar a fruta em ganache de chocolate em várias camadas e deixar secando, depois fecha as folhas e serve numa linda bandeja ou com o café, tipo docinho mesmo.

Hoje preparei uma calda de phisalys com laranja pra um flan de chocolate, ficou muuuuuuito bom.
Fica ai a minha dica da semana. Estamos na época dessa fruta milagrosa e vale aproveitar.
Abs e até mais

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Comida Gringa, acidentes, amigos que se vão.

Gente, em menos de duas semanas fui vítima de vários acidentes, dois de motocicleta e dois de vida.
Andar de motocicleta em São Paulo é uma grande aventura, me lembra um pouco aqueles brinquedos de parque de diversão que enchem a gente de adrenalina. Não estou falando de motoboy, mas é que não dá pra ficar parado atras dos carros, afinal de contas uma  motocicleta serve pra andar entre os carros, por isso a escolha, pra economizar tempo e ser mais prático. E mesmo respeitando as leis, sinalizando,  buzinando, etc, é corriqueiro ver as pessoas dirigindo e falando ao celular, sem dar seta pra fazer conversões, brigando, e pondo em risco a vida dos outros e delas mesmas. Assim, meu pé direito foi atropelado por uma senhora que falava ao celular e cinco dias depois, ao descer a rampa do estacionamento do shopping (não vou citar qual pq eles foram muito corretos comigo até agora) dei com um rio de óleo, caí e desci de lado (o direito de novo), e logo em seguida presenciei mais uma queda de moto e uma batida de carro pelo mesmo motivo (óleo na pista).
Os acidentes de vida aconteceram com pessoas muito amadas que se foram, acho que antes do tempo, mas quem sabe quando é o tempo de se ir? Os dois eram artistas, criativos, ativos, felizes, viviam colocando pilha na gente pra ser feliz, dando exemplo, sendo o exemplo. Ao mesmo tempo em que se entristece nesses momentos, passado o choque vêm a mente lembranças de fatos engraçados, bebedeiras, shows, viagens, farras, conselhos, palavras de carinho recebidas que na verdade é o que se deixa nessa nossa curta passagem por aqui, o que se faz e o que se fala.
Então, lembrei que antes dessas pessoas entrarem na minha vida, eu tinha um paladar muito fechado pra comidas que não fossem brasileiras e foi com o impulso desses amigos e um pouco de sacanagem (no bom sentido) que aprendi a me abrir mais aos sabores de outros cantos do mundo. Ai resolvi fazer ontem um arroz sírio que adorávamos compartilhar quando, em viagens encontrávamos algum restaurante árabe.
Dedico esse post aos amigos vivos aqui e aos que eternamente vão estar nas minhas boas lembranças.


RECEITA DE ARROZ COM LENTILHAS E CEBOLAS CARAMELIZADAS - MJADRA
  • 1 copo de arroz
  • 1 copo de lentilha (a normal - verde)
  • 1 cebola
  • azeite a gosto pra fritar
  • temperos (sal, alho, cominho)
Refogue um pouco a lentilha, com cominho, sal e alho a gosto. Depois coloque uns cinco copos de  água até cobrir e mais um pouco. 
Deixe ferver até a lentilha ficar al dente (se sobrar água não tem problema, depois ele hidrata com o arroz) e acrescente o arroz integral já cozido e também ao dente. Verifique o sal e acerte se necessário.
Corte umaa cebola em cubinhos não muito grossas e frite-as em bastante azeite de oliva de boa qualidade, até que fiquem bem douradas (quase marrons - caramelizadas). Desligue e espalhe tudo, inclusive o azeite, sobre o mjadra na panela.
Sirva com coalhada seca, kibe de soja, berinjela ao forno, etc, etc, etc.
Se abra para novos sabores, aproveite a vida e seja feliz.


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O gato do Rabino

Não consigo acreditar em coisas sobrenaturais, acho que por herança de família, ao longo desses 49anos de vida, vi, visitei e freqüentei tantas religiões, seitas, igrejas e comunidades que acabei acreditando que os elementos comuns entre todas com os quais me identifico são a fé e um modelo moral que guia seus seguidores, muitas vezes como instrumento de dominação e opressão. Logo todas me parecem verdadeiras mas não absolutas.
Fico com a fé, não como uma força superior que vem de fora pra dentro mas o contrário disso, uma força interna que se constitui ao longo da vida. Experimentando com erros e acertos vamos desenvolvendo nossa percepção de uma maneira que passamos, a partir de experiências vividas, a acreditar na viabilidade de concretizar os resultados que buscamos, ouvindo nossa intuição a fé surge mais como um reflexo do que como ajuda divina.
Pra terminar sugiro que assistam ao filme de animação "O gato do Rabino" - ganhador do prêmio Cesar de 2012 e que não deve ficar muito tempo em cartaz, talvez porque questiona o que o "gato falante" chama de "lei dos loucos". É uma lição de fé, respeito, tolerância, amizade verdadeira, delicioso, musicalmente impecável e imperdível.
Abraços

sábado, 4 de agosto de 2012

Chapada das culturas, dos encontros, das águas e do pão de queijo.

Não é sempre que uma reunião marcada de última hora coincide com milhas aéreas prestes a vencer e um Encontro de Culturas Regionais que tradicionalmente acontece há doze anos bem no coração do Brasil, numa das mais ricas regiões em biodiversidade.
Rios caudalosos, cachoeiras majestosas, amigos que se encontram ao acaso ou pela primeira vez, moda de viola, quilombolas, índios, sol ameno, desafios no fogão de lenha, sofisticação sem afetamento ou arrogância e até acampar depois de quase trinta anos. Tanta coisa boa que me perdoe o Universo sempre generoso se me esqueço de nomear alguns dos muitos presentes que recebi nesses quatro dias passados na Vila de São Jorge, entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.
Na saída, quase indo embora, ainda ganhei de presente uma receita de pão de queijo, um segredo revelado, um gesto generoso, simples e gostoso como a Chapada me mostrou ser.
Obrigado Nina foi um grande prazer.

Receita pão de queijo da Niina

Ingredientes

4 copos de leite
4 ovos
4 copos de porvilho azedo
4 copos de queijo 1/2 cura ralado
1/2 copo de óleo de milho
Sal a gosto

Segredo: ferver leite com o óleo, qdo levantar fervura misturar o porvilho e o restante, misturar bem pra cozinhar tudinho, aguardar esfriar totalmente a massa. Fazer os bolinhos e colocar num forma untada para assar em forno pré-aquecido a 180o. por meia hora

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Arroz de forno integral, aniversário, mudanças...



Em breve o Goa completará oito anos de idade, na verdade serão oito anos de aprendizado que acreditem, foi muito além da gastronomia e do vegetarianismo.
Quando abrimos o Goa, na época com o nome Gaia, (cuja marca não pude registrar), a idéia era a de salvar um restaurante falido, fechado e mau visto na comunidade local, o "Eugênia Restaurant & Music Bar" , transformando-o em um ponto de encontro de pessoas que compartilhassem de um mesmo valor: a paz.
Paz no sentido de não violência contra aquilo que mais preservamos mesmo que instintivamente: a vida, qualquer vida. Ser um negócio que presta serviços e emprega colaboradores em troca de dinheiro, mas sem que com isso tivéssemos de servir a um mercado poluidor e agressivo. Acho que atingimos nossa meta, além disso, mesmo que de forma simples e usando apenas minha memória degustativa afetiva, (porque não sou formado em gastronomia e nem chef no sentido acadêmico da palavra) consegui cativar nossos clientes servindo pratos populares, originais e, sempre que possível elaborados com temperos regionais, orgânicos  e saborosos.
Hoje, oito anos mais amadurecidos. caminhamos para mudanças profundas nas ações que projetamos desenvolver neste próximo ciclo que se inicia.

Adoro o meu trabalho mais do que nunca, principalmente quando ele me possibilita inovar e levar ao questionamento os valores que defendo profissionalmente, independente de minha vida pessoal.
Quanto ao arroz de forno, essa é a receita que a minha mãe fazia aos domingos. Eu tomei a liberdade de adaptar e a honra de compartilhar com a minha amiga Chef Vivi Araújo no link que voces podem acessar logo abaixo .
Abs

Arroz de Forno Integral ao Forno